Mo'nonymous on A propósito dos ban...
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Pensamento do dia: "No Líbano, os livros são lidos de trás pra frente. É por isso que a Agatha Christie não vende nada por lá" - Eugênio Mohallen (publicitário brasileiro).

A RTP é uma caixinha de surpresas.
Estava eu no sofá pôsto em sossêgo, aguardando resignado (já com o polegar pairando preventivamente sobre as teclas do comando), o início do filme anunciado para essa noite, intitulado "Irreversível". Seria mais uma palhaçada daquelas a que a televisão pública já nos habituou...pensava eu.
Contrariando todas as minhas previsões, fui então brindado com uma verdadeira obra de arte.
Este filme é um daqueles raros, que nos fazem lembrar que o cinema é uma arte e como tal, tem também que evoluir e adaptar-se aos nossos tempos.
Mais tarde, movido pela curiosidade, procurei informações na net e descobri aquilo que já previa: divide totalmente os críticos, ou gostam muito ou abominam. Por mim, na minha modesta opinião de simples telespectador, estou do lado dos que o consideram uma obra prima.
Gaspar Noé, o seu realizador, é sem dúvida um nome a reter.
Violento a todos os níveis (física, moral e psicologicamente), é um filme que ultrapassa o realismo e nos faz pensar. Uma verdadeira pérola, filosoficamente falando. Explora os mais primitivos sentimentos humanos, lembrando-nos que apesar de racionais, somos animais e deixa-nos pregados ao ecrã por motivos totalmente contrários aos habituais. Para não revelar muito mais, vou só dizer que a expectativa está em saber como começa e não como acaba.
A não perder por todos aqueles que apreciam filmes alternativos aos convencionais.
Não podemos dizer sempre mal, obrigado RTP.

Hoje de manhã, notícias vindas de Londres referiam a morte de um indíviduo numa estação do Metro, às mãos de agentes da autoridade.
Segundo relatos de uma testemunha ocular, que tive oportunidade de ver na BBC, três ou quatro agentes à paisana perseguiram um homem de pele escura, que supostamente, seria um bombista suicida. De acordo com essa testemunha, depois do indivíduo estar caido no chão, dois dos agentes aproximaram-se e dispararam um total de cinco tiros à queima roupa. Não houve qualquer tiro de aviso.
Depois desta reportagem, já no estúdio, um senhor de gravata (devia ser uma autoridade importante) veio esclarecer os espectadores, de que os agentes têm instruções claras para adoptarem este procedimento sempre que tenham fortes suspeitas de que se trata efectivamente de um bombista suicida.
Analisando tudo isto, chego à conclusão de que na prática (por culpa do terrorismo, é certo) os agentes de autoridade em Londres funcionam neste momento num sistema 3 em 1. Têm que ser polícias, juizes e carrascos em processos sumaríssimos cuja única pena a aplicar é a pena de morte.
Pela minha parte, não ficaria nada surpreendido se as autoridades viessem agora a descobrir e tornassem público que o tal indivíduo era afinal um inocente transeunte e tivessemos de gramar um hipócrita e comovido discurso de Tony Blair a pedir desculpa à família e à comunidade muçulmana.
Uma vez que um país civilizado e defensor dos direitos humanos não pode expulsar cidadãos, baseado apenas em motivos de cariz religioso ou xenófobo, não há nada como eles se pôrem a andar pelo seu próprio pé com medo de serem confundidos com terroristas.
Seria um autêntico golpe de mestre, digno de Ian Flemming e do seu 007 (ao fim e ao cabo ele também era súbdito de Sua Majestade).
Aguardemos os próximos capítulos...

Isto é uma variação (só pra desanuviar), da caricatura que tenho estado a fazer deste marmanjo e que tá a dar um trabalhão de puta madre. Mas isto é mesmo assim, sem trabalho não se faz nada.
Bom, o que interessa é que já têm qualquer coisita pra ver e como não está no tamanho original, vale a pena aumentar pra verem melhor os veios da madeira.
Hasta la vista!